CENTENÁRIO DE ISAIAS SILVA

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ISAIAS SILVA:

O MÉDICO, O DIRIGENTE, O PROFESSOR , O POLÍTICO, O INTELECTUAL

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Imagem  link vídeo Centenário de Isaias Silva
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Meu pai foi o Homem mais decente e corajoso que conheci.
Médico e culto, cavalheiro ou cavaleiro, dependendo da ocasião… Avesso aos “flashes” e às fogueiras das vaidades, deixou para mim a melhor herança que um Homem pode deixar para um filho: Caráter e educação.
A minha gratidão ao legado moral que esse Homem me deixou é incomensurável. Soube ser duro e afetuoso, de acordo com o meu merecimento (e o dos outros).
 

Durante a ditadura militar, já afastado da política, ocupou vários postos de chefia – tanto no INPS como na Universidade Federal da Paraíba, quando, por causa da sua obsessão em tratar com honestidade o bem público, “comprou” muitas brigas e arranjou diversos inimigos – que não pensavam como ele…
Apesar de seu pensamento claramente socialista (porém linha dura), Isaias era respeitado pelos militares do regime de então, que o mantiveram nesses cargos por um bom tempo, justamente pelo seu caráter honrado e a sua coragem pessoal. Durante a sua coordenação nos serviços de medicina do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social, depois INAMPS), por várias vezes pediu demissão, por não poder dar combate à corrupção entranhada naquela instituição como queria, impedido por superiores complacentes.
Nas conversas que eu presenciava entre ele e um oficial do exército, muito amigo e parente, ele expunha claramente o seu descontentamento com o regime militar.
Os militares nunca quiseram “mexer” com Isaias, que dizia o que pensava e só fazia o que queria.
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Faço aqui esta humilde homenagem, garimpando fotos (com a ajuda da mana Márcia Steinbach S. Kaplan) e restaurando-as,  com o pouco de talento que Deus me deu, para esta publicação e para a edição de um vídeo que será apresentado na Academia Paraibana de Medicina, durante homenagem que lhe será prestada naquela Casa, por sugestão do querido presidente Ricardo Maia, provavelmente agora em março.
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SEUS ANCESTRAIS PATERNOS

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 Coronel José Pordeus Rodrigues Seixas (casado com Rosa Ursulina), o patriarca fundador da fazenda Umarí (foto acima), seu bisavô paterno.
 
Maria Joaquina da Natividade Seixas e José da Silva Mendes Pedrosa, seus avós paternos.
 
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 OS ANCESTRAIS MATERNOS
 
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PeO “vigário casado de Sousa”, Padre José Antônio Marques da Silva Guimarães 
e a esposa Maria da Conceição Gomes Mariz
(seus bisavós maternos).
 Pelo fato de ser padre, alguns dos primeiros descendentes, muito conservadores, tentaram a todo custo apagar a memória do vigário e da esposa Maria da Conceição Gomes Mariz da história familiar, embora o Vaticano fizesse “vistas grossas” à desobediência dele ao celibato.

[José Antônio Marques da Silva Guimarães foi deputado provincial por quatro mandatos e vigário da cidade de Sousa, sertão da Paraíba, por quarenta e oito anos, de 1837 a 1885. Homem corajoso, poucos anos após ordenar-se padre, da Ordem de São Bento, o vigário José Antônio resolveu enfrentar uma sociedade altamente conservadora, em Sousa, no alto sertão da Paraíba.

Cheio de vontades e de ideias próprias, mas sem abdicar do exercício do sacerdócio, o vigário José Antônio resolveu desposar Maria da Conceição Gomes Mariz – roubando-a da casa dos pais, em Olinda, Pernambuco, por volta do ano de 1838 – e, com ela, constituir urna família que fez história no longínquo sertão da então pequenina Parahyba do Norte.
Da união, nasceram catorze filhos, (todos na cidade de Sousa – PB) e uma destacada, diversificada e numerosa descendência na Paraíba e no Rio Grande do Norte; entre eles os governadores João Agripino Maia, Tarcísio Maia, Antônio Marques da Silva Mariz e José Agripino Maia, os deputados José Mariz, Gervásio Maia, os historiadores Celso Mariz e Wilson Seixas, Octávio Mariz – líder da revolução de 1930 na cidade de Sousa como líder radical do Jornal de Sousa, o médico Isaias (professor titular de otorrinolaringologia da UFPB, de resoluta atuação na constituinte paraibana de 1947, quando deputado), o compositor e cantor José Ramalho Neto – Zé Ramalho, agregando membros das famílias Rocha, Garrido, Sá, Meira de Vasconcelos, Melo, Rangel, Aragão, Pordeus, Rodrigues Seixas e Formiga. Sua vida não apenas marcou época. Ele soube fazer época e obteve da comunidade a aprovação aos seus atos. Se não cumpria fielmente os preceitos da Igreja Católica, no que diz respeito ao celibato, cumpria exemplarmente os demais compromissos, com aguçada inteligência, coragem inabalável e elevada capacidade de trabalho, tudo empregado na defesa do seu extenso domínio paroquial. Por isso era respeitado, ouvido e aclamado, como homem desassombrado, que chegava a levar a mulher e os filhos para as mais concorridas cerimônias religiosas. Conhecido como o vigário casado de Sousa, padre José Antônio exerceu quatro mandatos como deputado provincial, foi fundador e sustentáculo do Partido Liberal em Sousa e primeiro prefeito da cidade, além de presidente da Assembleia Provincial e, nessas circunstâncias, presidente provisório da província.
Isso é que é “escrever certo por linhas tortas”.]
(extraído do livro “Nos Caminhos do Vigário José Antônio”, História da Paraíba, Emmanoel Rocha Carvalho, 256 pgs, 2006, Editora Universitária / UFPB).
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LUIZ FERREIRA ROCHA E JOANNA MARQUES GUIMARÃES ROCHA (Meus bisavós)c moldLuiz Ferreira Rocha e Joanna Marques Guimarães Rocha (filha do vigário casado de Sousa, José Antônio Marques da Silva Guimarães e de Maria da Conceição Gomes Mariz), seus avós maternos

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DEPOIMENTOS

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DEPOIMENTO DE DR. EILZO NOGUEIRA MATOS
(Facebook, 15 de fevereiro de 2015)
 
Isaias Silva, médico de reconhecida competência profissional, deixou na história da Paraíba registrada honrosamente a sua presença. Conheci-o em Sousa quando ele deputado em Pombal, visitava os seus parentes Pordeus / Mariz. em Sousa.
Admirado pela firmeza de suas ideias e coragem pessoal, corroborava a marca dessas famílias e dos Rocha na elegância da presença na sociedade, cavalheiros, gentlemen de verdade. O acento tonitruante da voz dos Rocha fazia-os notados em qualquer reunião, porque eles conversavam sem reservas, com risadas e exclamações afirmativas. Conheci Rubens, Alaíde e outros irmãos, e seu pai Basilio, que morava num casarão na Rua do Sul em Sousa. Ligado à sua família pelo casamento de uma irmã de minha mãe com Manoel, filho de Dr. Milton de Oliveira/Maria Emilia Mariz. Boa convivência, boas lembranças. Relembro um momento na Assembleia Legislativa quando eu, deputado estadual, e Isaias depoente num episódio que envolvia sousenses num inquérito no INPS. Novato, formulei mal a pergunta e lembro bem, Isaias olhou-me penalizado, encerrou com a resposta a apuração do fato na Assembleia.
 
 
DEPOIMENTO DE  DR. EVANDRO JOSÉ PINHEIRO DO EGYPTO
ACADEMIA PARAIBANA DE MEDICINA (28/10/1999)
Elogio ao 1º ocupante: Dr. Isaias Silva
Cadeira nº 24
 
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Isaias Silva, filho de Joana (Geni) Rocha e Silva e de Basílio Silva, nasceu em 16 de setembro de 1914 na cidade de Sousa – sertão paraibano – cidade onde realizou seus primeiros estudos básicos. Mais tarde, nos meados dos anos 30, segue para a Bahia para ingressar na tradicional Faculdade de Medicina, tendo-se formado em 1939.
 
Radicando-se logo após sua formatura no município de Pombal-PB, onde construiu um hospital, tendo sido o pioneiro como profissional da medicina naquela cidade. Durante mais de uma década o Dr. Isaias fez história como profissional dos mais respeitáveis na região geográfica que compreende Sousa, Patos, Catolé do Rocha e Pombal. Nesta época, como médico, era eclético, atuando como Clínico e Cirurgião Geral. Porém já demonstrava forte inclinação para a Otorrinolaringologia e Oftalmologia, desenvolvendo também com habilidade atividades de Laboratorista, Radiologista e Anestesista, levado pelas circunstâncias sociais impostas, à época , ao médico do interior.
 
Em meados dos anos quarenta, ingressa na política influenciado pelos primos João Agripino, José Marques da Silva Mariz e Américo Maia, bem como o seu velho pai, Basílio Silva. Sendo eleito Deputado Estadual, pela UDN, na Constituinte de 1947. Neste seu primeiro mandato foi líder do Governo Osvaldo Trigueiro e, no segundo mandato, foi líder da oposição, também pela UDN, frente ao governo de José Américo de Almeida, exercendo marcante atuação, de forma vigilante e combativa, sem jamais curvar-se ao poder e a força do então governador.
 
Mas o caráter e os ideais de Isaias Silva estavam bem acima dos meandros e acomodações da política, levando-o desistir definitivamente de sua militância na mesma.
 
Em 1953-54 Isaias já não cabia mais como Médico do Sertão, onde submete-se a Concurso Público para médico do IAPC, logrando aprovação em 1° lugar, levando a transferir-se para a capital, onde passa a dedicar-se tão somente à medicina e ao magistério.
 
Já em 1955 teve sua indicação para Chefe de Clínica Otorrinolaringológica, da Faculdade de Medicina, sendo o 1° Professor na citada Disciplina, ao lado do professor Cassiano Nóbrega, conforme registro do Conselho Técnico Administrativo de 16.06.1955, da mencionada instituição.
 
Na década de sessenta passa também a atuar como Médico credenciado do IPASE e IAPI, já atendendo em seu consultório particular como Otorrinolaringologista.
 
A despeito do seu perfil varonil, e de seu pulso forte nos mais diferentes cargos que ocupou, era o homem Isaias possuidor de acurada sensibilidade pelas letras e pelas artes, sendo um cultivador da literatura universal dos mestres Goethe, Anatole France, Honoré Balzac, Proust, Dostoievski, Eça de Queiroz, Graciliano Ramos, entre os mais apreciados, tendo em Humberto de Campos como maior cronista da língua portuguesa, conforme abalizado e realístico depoimento de sua filha e admiradora, Professora Márcia Steinbach Silva Kaplan. Outra grande paixão era pela música erudita, representada por Chopin, Brahms e Beethoven, cujas peças para piano gostava de ouvir executadas por sua primeira esposa Marieta Steinbach Silva (foto abaixo) , eximia pianista, que trocou sua brilhante carreira, em Salvador, para acompanhá-lo em seu retorno à Paraíba.
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Marieta Steinbach Silva e Isaias Silva
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Esteve à frente de vários cargos, foi secretário de Saúde no Governo de Pedro Gondim, de quem era amigo inconteste e grande admirador, desde os tempos em que ambos eram deputados estaduais.
No âmbito da Previdência Social esteve como Coordenador de Assistência Médica e Superintendente, no então INPS, no início dos anos setenta, onde imprimiu excepcional trabalho de expansão a nível de assistência médica, quer no âmbito ambulatorial da instituição que dirigia, quer no credenciamento de profissionais, Clínicas e Hospitais.
 
Não menos relevante foi sua passagem no âmbito universitário, pois além de atuar como primeiro professor de Otorrinolaringologia, da Faculdade de Medicina, sendo alçado a Professor Titular já na federalização da universidade. Tendo ocupado a Chefia do Departamento de Cirurgia, em dois mandatos. Esteve à frente de várias Comissões para mudança do currículo do curso médico e participou de inúmeras Bancas examinadoras em
universidades outras.
 
Na qualidade de membro da comissão de implantação do Hospital Universitário, empreendeu viagem a Alemanha, a fim de conhecer e avaliar sua rede hospitalar, preparando-se para emitir parecer sobre importação de material médico cirúrgico, em missão oficial pela Universidade Federal da Paraíba.
 Vindo a se aposentar em 1985, beirando os setenta anos, recolhendo-se ao merecido descanso de uma vida marcada por extrema labuta, nos mais distintos campos que atuou, sempre com a sua marca da impetuosidade e bravura. Assim, pôde mergulhar de forma mais profunda e tranquila nas suas leituras tão afeitas à sua personalidade, assim como ao deleite da boa música clássica, bem compartilhada com a Dra. Maria Dalva Machado Silva, com quem casou-se em segunda núpcias, médica ginecologista bem atuante em nossa cidade, parte integrante nessa nossa justificada homenagem.
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A médica Maria Dalva Machado Silva, sua segunda esposa
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Em 09.07.94 Isaias Silva partia para seu descanso eterno, deixando oito filhos, vinte e dois netos e vinte bisnetos.
 
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~ por Bruno Steinbach Silva em 01/03/2015.

2 Respostas to “CENTENÁRIO DE ISAIAS SILVA”

  1. Bruno, vc fez um trabalho maravilhoso. Eu, que não tive a oportunidade de conhecer Dr. Isaías de perto, sinto não ter convivido, naquele tempo, com a família. É como se fosse uma saudade de alguém, ou de um tempo, que nunca convivi. Acho que é pq hj já não exigem pessoas e principalmente políticos, como os nossos antepassados. As suas palavras remetem a isso. Imagino o q a família está sentindo. Um grande abraço, querido! Parabéns!

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